Posted by admin on 20/01/11 ( 1374 reads )
Dia 16-01-11
Chile Chico x El Calafate
780 km (sendo 400 de cascalho)
Saída 11:00
Chegada: 01:00
Frase do dia 1: Quer cascalho?? Então toma!!
Frase do dia 2: Por mais que a situação esteja difícil, sempre haverão pessoas em situações piores. Portanto, agradeça...sempre!

Abreviando a história, convencemos o funcionário da pousada a aceitar o pagamento em Reais e partimos para El Calafate. Ele pestanejou mas não tinha outra opção.
Agora compartilharemos o segredo para atravessar fronteira por essas bandas sem ter o carro revistado…uma bike no teto e uma dobrável dentro do carro. Policial argentino olhou para a zona que se encontrava na parte de trás do carro e simplesmente perguntou da bicicleta… “Dahon se llama la marca?” Hmm…pueden pasar!”
Mais uma fronteira transporta, pegamos a lendária Ruta 40, uma estrada que corta a Argentina inteira de Norte a Sul com mais de 5 mil quilômetros, grande parte de cascalho. Desses 5 mil, rodamos 650 km por uma imensidão de vegetação rasteira e relevo parecido com o de chapada, praticamente um deserto. Parecia não ter fim.
Avistar carros se aproximando era fácil. À quilômetros de distância era possível avistar o rastro de poeira que com a ajuda do vento, levantava alto e ia longe. Por falar em vento, é tão forte que chega a virar os carros que passam. Várias pessoas nos advertiram dizendo que é melhor parar o carro e esperar a ventania passar do que se arriscar no vento, mas, como não tínhamos referência para saber o quão forte estava, tocamos direto sem maiores problemas.
Pela estrada, avistamos uma família de Ñandu (ave da família das Emas, porém menor), Guanacos (da família das Lhamas, com menos pelo e coloração diferente) por várias vezes, lebres novamente presentes e o segundo Puma da viagem (o primeiro vimos na Carretera Austral). “Avistaran Pumas? Tuvieran mucha suerte! Es muy difícil verlos.” Não se pode ver nenhum desses animais em outro lugar do Planeta, a não ser aqui. Todos essas especies específicas da Patagônia e estão aqui desde antes do descobrimento da América...fascinante!
Chegamos em El Calafate e fomos procurar o albergue que nosso amigo Cesar de Oliveira Lima (mais conhecido como Cesão do Tem Base) estava hospedado. Como chegamos muito tarde o funcionário não quis o acordar e tampouco havia lugar para nós. Iniciava-se uma busca desesperada, primeiro por comida, depois por lugar para dormir. Fomos acabar no restaurante do Cassino, o único lugar na cidade que ainda servia. Exaustos saímos de lá às 2:15 da manhã para encontrar lugar. Procuramos em todos os lugares mais pertos do centro. Nada! Chegamos a pensar em dormir dentro de um banco, onde ficam os caixas eletrônicos, mas persistimos na busca e saímos entrando em ruas sem pavimentação pelos bairros. “No hay lugar...no...no hay...no, no, no.” Batemos em mais de 12 lugares, tentamos abrir a porteira de um camping mas sem sucesso.
Cogitamos deixar o carro de fora, pular a cerca e montar barraca mas com certeza seria a pior noite da viagem porque ventava muito e vento é sinônimo de frio. Para nossa sorte não conseguimos abrir a porteira. Na terceira pousada que batemos depois do camping, a pessoa abriu a porta meio sonolenta e aumentou a estatística dos “no hay lugar”. Respondi que teria que dormir na rua daquele jeito e uma luzzzz no fundo do túnel!!! “Espera...hay lugar, desculpa, estava dormiendo..hay lugar sí!”. Ufa! Depois de 14 horas na estrada e duas e meia já na cidade, encontramos nosso canto que nos aguardava pacientemente e fomos entender o motivo de tamanha lotação. Os Chilenos fecharam as fronteiras e todos que tinham intenção de descer para Punta Arenas ou Torres Del Paine ou Ushuaia estavam em El Calafate aguardando a situação melhorar. Descemos para buscar travesseiro no carro e havia uma paulista também procurando. Chegou lá pouco depois de nós, fugida do Chile com uma amiga (que conheceu na internet antes da viagem) e um amigo (que conheceram no Chile). Para a sorte deles, havia um chalé que não estava disponível mas deixaram eles ficar mesmo assim.
Contaram que ficaram 5 dias dormindo no chão em escolas recebendo ajuda da Cruz Vermelha, vendo rato passar, etc. Naquela noite, até onde entendi a história, foram informados que haveria uma trégua de duas horas na madrugada. Subornaram um chileno que os levou de carro até a fronteira por um caminho alternativo pouco conhecido. Saíram a pé carregando muito peso nos mochilões e mochilas até encontrarem um taxi que os levou até El Calafate.
O Sou da Estrada não passou pela situação porque nos lugares por onde andamos no Chile não houve revolta porque faz menos frio e assim a população depende menos do gás do que aqui em baixo.
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